Pensamento do dia

Ontem à noite, o Tai deu um grito que parecia que estavam esfaqueando o coração dele.

Fui correndo para a sala ver o que era e percebi que ele estava avisando que alguém ou algo havia entrado no perímetro da casa. O Tai sempre foi o cão de guarda por excelência daqui e ele gritou justamente por não poder ir atrás do invasor.

Eu abri a porta para ver o que era e imediatamente o Pepê e a Joom La saíram correndo na minha frente.

Segundo depois, escuto ganidos de outro cachorro que não os meus.

Algum cachorro perdido veio comer das vasilhinhas que ficam na varanda.

O Pepê pulou sobre o murinho e perseguiu o cachorro estrada abaixo. E a Joom La o seguiu quando abri o portãozinho da garagem para tentar ver que bicho era.

Só muito tempo depois que os velhos pastores apareceram, andando devagar e capengando de dor na coluna.

Os jovens foram ágeis em expulsar o visitante.

Me senti segura de novo com essa dupla de baixinhos corajosos.

Alguns minutos depois, eles voltam triunfantes e se instalam a minha volta. Acho que para me proteger. Ou então para aproveitar a maciez da minha cama. Não sei bem ainda.

;)

Mas eu quero acreditar que é para me proteger.

Problemas de Saúde

Médico é um bicho burro porque se sente mal, quer se tratar sozinho e acaba se complicando todo.

Para mim é ainda pior porque para eu cuidar da saúde tenho que sair daquele lugar bucólico que eu moro e vir para São Paulo.

Então fui enrolando e me sentindo mal.

Sentia uma tontura que me fez cair no chão e torcer o pé. Até contei isso aqui.

E dores na barriga. Muitas dores.

Daí passei a acordar de madrugada, exatamente às 4 da manhã com falta de ar e sibilos de asma, coisa que eu nunca tive.

O negócio ficou tão ruim que nem conseguia mais trabalhar.

Então, o Marcos que fez faculdade comigo me intimou que eu fosse para SP naquele dia e passasse com um colega gastro.

O cara pediu exame de tudo e me mandou numa otorrino por causa da tontura.

A endoscopia mostrou o problema: úlceras no esôfago, gastrite e duodenite. Era o tal refluxo Gastro-Esofágico e que também explicava o quadro pulmonar, otite e sinusite.

Parecia que eu tinha todas as ITES possíveis.

Porém, um dos exames de sangue, o CEA – antígeno carcinoembrionário – veio muito alto, sugerindo tumor no cólon.

E lá fui eu fazer mais exames e a colonoscopia mostrou um tumorzinho que foi retirado no próprio exame.

Hoje recebi o anátomo-patológico e é tumor benigno.

Agora imagina ficar na dúvida se você tem câncer ou não!

Todas as chances apontavam que sim porque eu já tive dois tumores malignos e com metástases.

Pois é, eu sou uma sobrevivente de câncer desde os meus 25 anos.

A sombra da malignidade fica sobre minha cabeça como uma espada.

Não é fácil ser eu.

Mas ainda não acabou.

O ultrassom mostrou um cisto no ovário que não deveria estar lá. O gineco disse que muitos operariam logo de cara mas ele prefere que eu repita o exame no final de abril para ver se o cisto desapareceu. Se ainda estiver lá, entro na faca.

No geral estou me sentindo melhor dos sintomas que começaram essa epopéia toda. Espero que em breve eu volte a ficar 100%.

Agradeço a todos pelo carinho! Vocês são uns amores!

Como odiar água de coco

Eu sou uma pessoa superexagerada e sempre quero estar preparada para as situações. Gosto de planejar com antecedência.

Eu tinha que fazer um exame e precisava ficar em jejum de comidas sólidas por um dia interiro e jejum absoluto no dia do exame.

A única coisa que podia tomar eram líquidos claros tipo água, chá clarinho coado e… água de coco.

Sabendo que ia ficar num hotel e o preço da água de coco no frigobar era proibitivo, não tive dúvida e dei uma de farofeira. Fiz meu check in com uma caixa de papelão lotada de leite desnatado e 6 litros de água de coco.

E comecei a beber a água de coco.

E bebi.

Bebi.

Lá pelas tantas, precisava tomar 1 litro de um preparado líquido para acabar o preparo.

Tomei de uma vez porque era muito ruim.

O resultado foi que e porcaria do preparado se juntou com a água de coco e eu vomitei até não sobrar nada.

Eu amava água de coco. De verdade. Adorava tomar num copo cheio de gelo, estupidamente gelada. Agora não posso nem ver os litros que sobraram na caixa.

Só de pensar em água de coco me dá aversão.

Parece um porre que eu tomei uma vez de Cointrau e nunca mais pude chegar perto.

E é assim que a gente passa a odiar água de coco.

Ração de Cachorros Caseira

Quando eu era criança, não havia ração de cachorros prontas para comprar.

Quem tinha cachorro fazia o famoso panelão de fubá com carne e dava um certo trabalho ficar cozinhando para bicho.

Outro problema na época era que o panelão geralmente não fornecia tudo que o cachorro precisava. A comida feita em casa não era muito lá balanceada.

Com o advento das rações prontas, a vida dos donos de cachorro se simplificou e dar ração garantia de certa forma a dieta balanceada que eles precisavam.

Hoje encontramos rações de todos os preços e com teores de proteína diferentes, ao gosto do freguês.

Porém, alguns cães não conseguem se alimentar com rações prontas. O Tai, por exemplo, não consegue mais mastigar a ração dura por estar velhinho.

A saída pra o meu chow chow velhinho foi fazer a comida dele em casa, o famoso panelão.

O segredo da ração caseira é se certificar que ela é balanceada, ou seja, com carne, carboidratos e verduras e legumes. Sal, óleo, temperos, enfim, uma comida rica em todo tipo de nutrientes.

Eu uso a proporção de metade da panela de carne, um quarto de arroz e um quarto de verduras e legumes.

É muito bonitinho ver o Tai comendo chuchú e repolho, que no contexto geral ele adora.

Temperamos a comida com uma pitada de sal, porque não pode ser demasiada salgada e com um fio de óleo para não dar problemas de colesterol e ao mesmo tempo ter gordura que carrega vitaminas.

Cozinha-se tudo junto e quando o arroz está no ponto, a ração está pronta.

Eu uso carne magra moída sem gordura.

Cebola e alho pra temperar.

Enfim, é uma comida que qualquer pessoa poderia comer tranquilamente. É balanceada, apetitosa e o cachorro gosta muito.

A Doença do Gigio – Otite Interna em Cachorros

Gigio é um pastor alemão mestiço de aproximadamente 12 anos de idade.

Ele começou a ter vômitos e prostração de uma hora para outra sem outras alterações.

Rapidamente evoluiu para dificuldade de se levantar, permanecendo deitado o tempo todo.

Aceitou água e soro caseiro por via oral mas não quis comer.

Em menos de 8 horas de evolução do quadro inicial de vômitos, apresentou instabilidade ao ficar de pé, caindo para o lado esquerdo e andava em círculos para o lado esquerdo também.

Foi levado à clínica veterinária com suspeita de afecção neurológica de cerebelo com diferencial de labirintite.

Rapidamente também desenvolveu nistagmo batendo para a esquerda.

O veterinário fez hipótese diagnostica de Acidente Vascular Cerebral.

Eu não concordei por causa da localização de labirinto à Esquerda e pela evolução de horas, o que sugere infecção e não quadro vascular.

Ao exame, além do nistagmo e instabilidade, apresentava vermelhidão e edema de conduto auditivo externo esquerdo.

Foi medicado com dexametasona, furosemide, flunarizina e uma cefalosporina de quarta geração.

Em menos de 12 horas o nistagmo e os vômitos cessaram.

Voltou a comer no terceiro dia e deambulava com ajuda.

Teve alta para casa no quarto dia e aqui está se alimentando bem, bebendo água e tentando manter sua rotina de me seguir pela casa e ir até o jardim urinar. Teve uma vez diarréia e ainda não evacuou normalmente.

Observamos que a marcha melhorou muito embora ainda tenha tendência de cair para a esquerda.

Os exames laboratoriais mostraram um neutrofilia relativa indicando infecção aguda, o que fecha o diagnóstico de otite interna.

Ainda não sabemos o grau de sequelas que ele terá visto o quadro ainda ser muito recente. Mas a melhora está sendo progressiva e constante.

Agora quero tecer alguns comentários a respeito do atendimento do Gigio pelos veterinários.

Ao verem o cachorro instável se fecharam no diagnóstico genérico de “Problema Neurológico”.

Quem fez o diagnóstico de Otite Interna e instituiu a antibioticoterapia fui eu. A veterinária nunca tinha ouvido falar nisso.

Otite Interna é uma doença relativamente comum em cães que apresentam Otites Externas de repetição (o caso do Gigio).

A veterinária não examinou o cachorro. Eu que o examinei enquanto ele estava deitado na sala de exame e constatei a Otite Externa, que sugere o diagnóstico de Otite Interna por continuidade.

Pessoalmente eu também nunca tinha ouvido falar em Otite Interna em cachorros, mas a clínica é soberana e o quadro neurológico dele indicava comprometimento labiríntico do lado esquerdo.

Como neurologista, eu nunca tinha visto uma labirintite infecciosa bacteriana em gente nesse grau. Mas cheguei a esse diagnóstico no Gigio apenas considerando sintomas e exame físico. Mais tarde pesquisei em textos médicos veterinários e vi que era uma patologia bem descrita. Raro em gente e comum em cachorro.

Fico pensando na quantidade de cães que não foram diagnosticados com essa infecção e tratados ou sacrificados por causa de “derrame”.

Espero que esse relato sirva para alguma coisa.

Scroll to top