Gastrite pode ser contagiosa

De acordo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, a grande vilã é uma bactéria de nome esquisito – a Helicobacter pylori, ou simplesmente H. pylori para os íntimos. E haja intimidade: quase metade da população mundial hoje carrega este parasita no estômago.

Estudo sobre Gastrite

Gastrite
Saúde Gastrite

Segundo a pesquisadora Dulciene Queiroz, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estudiosa do assunto há 20 anos, a maioria das pessoas que desenvolve essa inflamação no revestimento estomacal convive com a visitante desagradável.

A contaminação pela H. pylori ocorre principalmente na infância. Pesquisa realizada com 700 moradores da cidade de Governador Valadares (MG) demonstrou que a presença da bactéria é mais freqüente em crianças de até oito anos. E, como o contágio é feito pelas gotículas de saliva, por meio do beijo ou do uso comum de objetos como copos e talheres, sugere que os principais agentes transmissores sejam os próprios pais. “A manifestação na fase adulta é mais rara porque a maior imunidade biológica impede que a H. pylori se fixe na parede gástrica”, explica a professora de microbiologia da UFMG, Taciana de Figueiredo Soares.

Outras causas que você deve considerar sobre o problema

Embora menos comum (cerca de 20% dos casos), a origem da gastrite pode estar relacionada a outros fatores. Alguns medicamentos, especialmente anti inflamatórios não hormonais e aspirina, irritam o estômago e alteram o PH (índice de acidez), deixando-o mais ácido do que o normal.

Álcool e cigarro também agem como uma ‘bomba’. Em excesso, as bebidas alcoólicas causam lesões gástricas por agredirem a mucosa estomacal ou reduzirem o fluxo sangüíneo. Associadas ao fumo, o quadro se agrava, já que a nicotina aumenta o refluxo de bile para o estômago, diminuindo sua defesa. Efeitos da radiação, ingestão acidental de substâncias corrosivas (como produtos de limpeza), doenças que afetam o sistema imunológico ou crônicas (como diabetes), predisposição genética e distúrbios hormonais completam a lista de fatores que desencadeiam a doença.

Quando o estômago começa a doer, a correria diária e o estado de tensão constante são apontados como grandes culpados. Mas os especialistas garantem que estas acusações são injustas. O estresse não causa a gastrite, apenas intensifica a dor quando o processo inflamatório já se instalou na região. Isso porque a adrenalina liberada no organismo pode aumentar a produção do ácido gástrico.

Normal – Com gastrite

“Cientificamente nada ainda está comprovado, mas observamos nos consultórios que quando o indivíduo deixa de ingerir alimentos ácidos sente um alívio enorme”, defende o gastroenterologista Carlos José de Vasconcellos Carvalho (RJ).Conheça os sintomas e tratamentos
Como a gastrite recebe várias classificações, os incômodos que surgem a partir da inflamação da mucosa estomacal variam. Mas, no geral, quem tem a doença sofre com indigestão e dores agudas ou uma espécie de queimação na parte superior do abdômen, que podem ser acompanhadas por náuseas. Outros sintomas comuns são mau hálito, vômitos e fezes escuras.

O problema pode ser diagnosticado por meio de avaliação médica e, quando necessário, com o auxílio de uma endoscopia (exame realizado através de um tubo de fibra óptica introduzido pela boca) ou de métodos mais invasivos, como a biópsia. O tratamento deve ser iniciado o quanto antes e, se o problema for causado pela H. pylori, precisa ser feito com a utilização de antibióticos, num período de sete a 14 dias. “É imprescindível tomar a medicação até o final. Desse modo, raramente o paciente será reinfectado”, adverte Taciana.

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